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SOBRE "NIRVANA"


AS BRIGAS CONTINUAM!!!!!

Até recentemente, o Nirvana era lembrado por duas coisas. Primeiro, pela revolução musical que provocou no começo dos anos 90, à frente do movimento grunge. Em segundo lugar, pela morte de seu líder, o cantor e compositor Kurt Cobain. Cobain já era um personagem cultuado em vida. Depois de se suicidar com um tiro de espingarda, em 1994, converteu-se definitivamente em ícone de rebeldia e angústia existencial para os adolescentes. Há, contudo, um terceiro evento que também deverá ficar colado ao nome da banda daqui em diante: uma das mais barulhentas e encarniçadas disputas judiciais que o mundo da música já viu. De um lado estão o baixista Krist Novoselic e o baterista Dave Grohl, remanescentes do Nirvana. Do outro, a “cantora” e “atriz” Courtney Love, viúva de Cobain e administradora de seu espólio. O que está em litígio é a maneira de lidar com várias músicas inéditas da banda. A pendenga já se arrasta há algum tempo, mas agora atingiu o ponto máximo de fervura. "Courtney é irracional", disse Novoselic recentemente. Ela retribuiu na mesma moeda: "Krist é um bêbado terminal, que eu quero ver fora da minha vida".

As relações entre esses três satélites do planeta Cobain nunca foram das mais harmoniosas. Apesar disso, depois do suicídio de Cobain eles assinaram um contrato que dá poderes iguais a todos na hora de tomar decisões sobre o legado do Nirvana. Courtney quer rasgar esse contrato. Ela diz que, unidos, Grohl e Novoselic têm desconsiderado suas opiniões e feito asneiras na condução dos negócios. Courtney se enfureceu, por exemplo, com o projeto de ambos de lançar uma caixa de inéditas do Nirvana, contendo músicas muito desiguais: algumas bastante fracas e outras que, trabalhadas de maneira especial, poderiam converter-se em hits. Por enquanto, ela conseguiu embargar a produção da caixa.

Courtney vai ainda mais longe. Seu argumento mais radical diz respeito à própria "essência" do Nirvana. A banda, afirma ela, era Cobain. Os outros não passavam de coadjuvantes (o que não é uma idéia assim tão absurda). Uma prova estaria no fato de Grohl e Novoselic terem concordado em ficar com uma parcela ínfima dos lucros com direitos autorais – cerca de 2% cada um –, a partir de 1992. Quando o Nirvana surgiu, em 1987, o trio dividia esses direitos em partes iguais. Quando o disco Nevermind foi lançado, em 1991, Cobain resolveu virar a mesa. Se os outros não topassem dar-lhe a parte do leão nos lucros, ele liquidaria o grupo. "Kurt tinha cara de maluco, mas era uma pessoa extremamente lúcida. Ele se conscientizou de que era a estrela da banda", diz o crítico americano Jim DeRogatis, que vem acompanhando essa guerra de perto.

Em seu contra-ataque, Grohl e Novoselic afirmam que o Nirvana sempre foi um grupo coeso e que a idéia de que eles fossem apenas figurantes ao lado de Cobain é absurda. Eles procuram ressaltar a (merecida) fama de encrenqueira de Courtney e dizem que ela quer ganhar poder sobre o legado do Nirvana por dois motivos: por dinheiro e para ter uma importante arma de barganha com gravadoras na promoção de seu próprio grupo, o meio decadente Hole. Os dois querem preservar o contrato que assinaram com Courtney e vê-la substituída como administradora do espólio de Cobain.

Uma audiência sobre o caso está marcada para o fim de setembro. Mas é bom ter em mente outros casos semelhantes. A família do guitarrista Jimi Hendrix demorou duas décadas para obter os direitos sobre as obras do artista, que estavam nas mãos de um produtor inescrupuloso. O cantor Bob Marley, vitimado por um câncer em maio de 1981, não deixou testamento. Seus herdeiros e ex-companheiros de banda largaram o discurso pacifista do astro do reggae e se engajaram numa luta que durou dez anos. A se levar em conta a raiva de Courtney, Grohl e Novoselic, nós fãs do Nirvana, teremos de esperar um bom tempo para ouvir as canções inéditas do grupo.

 Escrito por Thiago Leal às 11h46
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